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DIRETRIZES CURRICULARES DA ÁREA DE COMUNICAÇÃO E SUAS HABILITAÇÕES

Perfil do Egresso

O presente texto de Diretrizes Curriculares para a área da Comunicação e suas habilitações estabelece um padrão básico de referência para todas as instituições que mantenham Cursos de Graduação em Comunicação com habilitações em Jornalismo, Relações Públicas, Publicidade e Propaganda, Cinema, Radialismo, Editoração, ou outras habilitações pertinentes ao campo da Comunicação que venham a ser criadas. Suas especificações e critérios são igualmente válidos para os Cursos que se constituam exclusivamente como uma habilitação específica ou que se identifiquem como Curso Superior de uma das denominações de área no campo da Comunicação.


Perfil Comum

O perfil comum do egresso corresponde a um objetivo de formação geral que deve ser atendido por todos os Cursos da área e em todas as habilitações de Comunicação, qualquer que seja sua ênfase ou especificidade. Trata-se da base que, assumida na estrutura curricular, garante a identidade do Curso como sendo de Comunicação, e que caracteriza em geral componentes do perfil de todas as profissões da área.

  1. O egresso de Curso de Graduação em Comunicação, em qualquer de suas habilitações, caracteriza-se por suas competências profissionais, sociais e intelectuais em matéria de criação, produção, distribuição, recepção, e análise crítica referentes às mídias, às práticas profissionais e sociais relacionadas com estas, e a suas inserções culturais, políticas e econômicas.
  2. Deve ter competências que reflitam a variedade e mutabilidade de demandas sociais e profissionais na área, propiciando uma capacidade de adequação à complexidade e velocidade do mundo contemporâneo.
  3. Deve dispor de uma visão integradora e horizontalizada - genérica e ao mesmo tempo especializada de seu campo de trabalho possibilitando o entendimento da dinâmica das diversas modalidades comunicacionais e das suas relações com os processos sociais que as originam e que destas decorrem.
  4. Deve utilizar criticamente, em sua atividade profissional, o instrumental teórico-prático oferecido em seu curso, sendo portanto competente para posicionar-se de um ponto de vista ético-político sobre o exercício do poder na comunicação, sobre os constrangimentos a que a comunicação pode ser submetida, sobre as repercussões sociais que enseja e ainda sobre as necessidades da sociedade contemporânea em relação à comunicação social.
  5. Para isto, deve ter uma formação que transcenda as especialidades profissionais e proporcione uma compreensão ampla e rigorosa do campo da Comunicação, desenvolvendo assim uma percepção geral sobre este campo no qual as especialidades se inscrevem, e que possibilite participar da discussão pública sobre as significativas temáticas que perpassam toda produção mediatizada em uma sociedade de comunicação.
  6. Com estas características, o perfil do egresso das várias habilitações do campo da Comunicação é baseado em uma dupla fundamentação - a primeira, genérica e universalista; a segunda específica e particularizada - viabilizando que o egresso desenvolva suas competências e habilidades profissionais amparado em uma percepção fundamentada da sociedade contemporânea e da área de Comunicação.

 

Perfis Específicos

Os perfis específicos resultam das habilitações diferenciadas do campo da Comunicação, que se caracteriza por uma abrangência sobre diferentes meios, linguagens e práticas profissionais e de pesquisa e, na atualidade, por envolver um acelerado dinamismo social e tecnológico. Para assegurar o desenvolvimento histórico desta área de formação, estudos e exercício profissional, serão desenvolvidas habilitações com uma variedade de perfis específicos, garantindo assim o dinamismo próprio deste campo. Estas habilitações, definidoras dos perfis específicos, se organizam conforme as seguintes premissas:

  1. é mantida a referência básica às habilitações historicamente estabelecidas: jornalismo, relações públicas, publicidade e propaganda, radialismo, editoração, e cinema (assim como à sua denominação alternativa, cinema e vídeo);
  2. podem ser criadas ênfases específicas em cada uma destas habilitações, que serão então referidas pela denominação básica, acrescida de denominação complementar que caracterize a ênfase adotada;
  3. podem ser criadas novas habilitações pertinentes ao campo da Comunicação.

As habilitações referidas nos itens "b" e "c" acima serão reconhecidas como pertinentes ao campo da Comunicação na medida em que se verifique o atendimento dos seguintes critérios:

  • demonstração da dimensão e da complexidade temática e de objeto de estudo que justifiquem um perfil específico de egresso;
  • ocorrência de espaço potencial de mercado para um profissional, na área geográfica da instituição, com o perfil específico previsto;
  • existência de vinculações profissionais e conceituais com o Campo da Comunicação, suficientes para serem consideradas inscritas neste campo, ou ainda como desdobramentos ou interfaces essenciais deste, caracterizando-se assim o novo perfil específico como diretamente relacionado à área;
  • não ocorrência de superposição com habilitação ou profissão já existente e nem distorção de alguma destas;
  • caracterização de especificidades de linguagem ou de práticas profissionais ou sociais, de modo a justificar abordagens não restritas apenas a um determinado suporte tecnológico;
  • identificação de uma parte comum vinculada ao campo geral da Comunicação, em consonância com o perfil comum especificado nas presentes diretrizes;
  • adoção das Diretrizes Curriculares para os Cursos de Comunicação.

 

Perfis Específicos por Habilitação

Para as habilitações já estabelecidas, além do perfil comum relacionado no item anterior, devem-se objetivar os perfis a seguir explicitados.

Para outras habilitações que venham a ser criadas, os propositores devem incluir no Projeto Acadêmico a ser submetido ao MEC, além da adoção do perfil comum, do item anterior, caracterização do perfil específico para o egresso, com estrutura similar à dos perfis a seguir delineados para as habilitações existentes.

 

1) Perfil da Habilitação em Jornalismo

O perfil do egresso em Jornalismo, além da inclusão dos componentes comuns do campo da Comunicação, se caracteriza:

  1. pela produção de conhecimento e cultura voltada para seleções factuais sobre a atualidade e para a estruturação e disponibilização de informações que atendam a necessidades e interesses sociais no que se refere ao conhecimento dos fatos, das circunstâncias e dos contextos do momento presente;
  2. pelo exercício da objetividade jornalística na apuração, interpretação, registro e divulgação dos fatos sociais;
  3. pelo exercício da tradução e disseminação de conhecimento sobre a atualidade em termos de percepção geral e de modo a qualificar o senso comum;
  4. pelo trabalho em veículos de comunicação e instituições que incluam atividades caracterizadas como de imprensa e de informação jornalística de interesse geral ou setorializado, e de divulgação de informações de atualidade;
  5. pelo exercício de relações entre as funções típicas de jornalismo e as demais funções profissionais ou empresariais existentes na área da Comunicação, e ainda com outras áreas sociais, culturais e econômicas com as quais o jornalismo faz interface;
  6. pelo exercício de todas as demais atividades que, no estado então vigente da profissão, sejam reconhecidas pelo bom senso, pelas entidades representativas ou pela legislação pertinente, como características do Jornalista.

 

2) Perfil da Habilitação em Relações Públicas

O perfil do egresso em Relações Públicas, além da inclusão dos componentes comuns do campo da Comunicação, se caracteriza:

  1. pela administração do relacionamento das organizações com seus diversos públicos, tanto externos como internos, através de estratégias de comunicação;
  2. pela elaboração de diagnósticos, prognósticos, estratégias e políticas voltadas para o aperfeiçoamento das relações entre instituições, grupos humanos organizados, setores de atividades públicas ou privadas, e a sociedade em geral;
  3.  

  4. pelo trabalho na implantação de programas e instrumentos que assegurem esta interação, acompanhando, avaliando e aperfeiçoando os processos e produtos pertinentes com base nos resultados obtidos;
  5. pelo trabalho junto a instituições públicas ou privadas que incluam atividades caracterizadas em termos das estratégias de comunicação segundo as quais aquelas instituições possam desenvolver interações com os interlocutores pertinentes;
  6. pelo exercício de interlocução entre as funções típicas de relações públicas e as demais funções profissionais ou empresariais existentes na área da Comunicação, e ainda com outras áreas sociais, culturais e econômicas com as quais as relações públicas exerçam interface;
  7. pelo exercício de todas as demais atividades que, no estado então vigente da profissão, sejam reconhecidas pelo bom senso, pelas entidades representativas ou pela legislação pertinente, como características do profissional de Relações Públicas.

 

3) Perfil da Habilitação em Radialismo

O perfil do egresso em Radialismo, além da inclusão dos componentes comuns do campo da Comunicação, se caracteriza:

  1. pelo relacionamento com a realidade social e cultural e com ambientes naturais, voltado à percepção, à interpretação e à recriação destes através de som e imagem e do registro destas percepções, interpretações e recriações de modo a torná-las disponíveis para a sociedade;
  2. pelas atividades de criação, produção, estruturação, formação, direção e programação requeridos para as elaborações audiovisuais nas suas formulações habituais, documentárias, de narração, musicais, descritivas, expositivas, ou quaisquer outras adequadas aos suportes com que trabalha;
  3. pelo domínio técnico, estético e de procedimentos expressivos pertinentes a essa elaboração audiovisual, de modo a obter os resultados objetivados no que se refere tanto às relações com as realidades abordadas, como às características expressivas dos produtos e à interação destes com seu público;
  4. pelo trabalho em emissoras de rádio ou televisão, em eventos e em equipes, e ainda em quaisquer instituições que incluam atividades caracterizadas pela criação, produção, desenvolvimento e interpretação de materiais audiovisuais;
  5. pelo exercício de interlocução entre as funções típicas de radialismo e as demais funções profissionais ou empresariais existentes na área da Comunicação, e ainda com outras áreas sociais, culturais e econômicas com as quais exerçam interfaces;
  6. pelo exercício de todas as demais atividades que, no estado então vigente da profissão, sejam reconhecidas pelo bom senso, pelas entidades representativas ou pela legislação pertinente, como características do profissional de Radialismo.

 

4) Perfil da Habilitação em Publicidade e Propaganda

O perfil do egresso em Publicidade e Propaganda, além da inclusão dos componentes comuns do campo da Comunicação, se caracteriza:

  1. pelo conhecimento e domínio de técnicas e instrumentos voltados para a proposição e execução de soluções de comunicação no atingimento eficaz de objetivos de mercado, de negócios de anunciantes e institucionais;
  2. pelo trabalho como estrategista participante da definição de objetivos institucionais, empresariais e mercadológicos, traduzindo-os em objetivos e procedimentos de comunicação apropriados;
  3. pelo planejamento, criação, produção, difusão e gestão da comunicação publicitária, de ações promocionais e de incentivo, eventos e patrocínio, atividades de marketing, venda pessoal, design de embalagens e de identidade corporativa, e de assessoria publicitária de informação;
  4. pelo trabalho em empresas anunciantes, agências especializadas de propaganda, promoção, merchandising e congêneres, em veículos de divulgação, como corretor ou agenciador de publicidade e propaganda, e ainda em outras instituições públicas ou privadas que incluam atividades caracterizadas em termos publicitários;
  5. pelo exercício das funções típicas da área, em suas interfaces e interações com atividades vizinhas no campo da comunicação, e ainda com outras áreas sociais, culturais e econômicas com as quais as atividades de publicidade e propaganda se relacionem;
  6. pelo exercício de todas as demais atividades que, no estado então vigente da profissão, sejam reconhecidas pelo bom senso, pelas entidades representativas ou pela legislação pertinente, como características do profissional de Publicidade e Propaganda.

 

5) Perfil da Habilitação em Editoração

O perfil do egresso em Editoração, além da inclusão dos componentes comuns do campo da Comunicação, se caracteriza:

  1. pelo trabalho em gestão e produção de processos editoriais, de multiplicação, reprodução e difusão, que envolvam obras literárias, científicas, instrumentais e culturais;
  2. pelo desenvolvimento, no exercício deste trabalho, de atividades relacionadas à produção de livros e impressos em geral, livros eletrônicos, CDROMs e outros produtos multimídia, vídeos, discos, páginas de Internet, e quaisquer outros suportes impressos, sonoros, audiovisuais e digitais;
  3. pelo desempenho das tarefas tipicamente relacionadas aos processos editoriais, tais como planejamento de produto, seleção e edição de textos, imagens e sons, redação e preparação de originais, produção gráfica e diagramação de impressos, roteirização de produtos em diferentes suportes, gravações, montagens, bem como divulgação e comercialização de produtos editoriais;
  4. pelo trabalho em empresas editoras ou outras instituições públicas ou privadas que incluam a elaboração de produtos editoriais, utilizando-se de diferentes suportes e com os objetivos diferenciados relacionados a tais produtos;
  5. pelo exercício das funções típicas da produção editorial, em suas interfaces e interações com atividades vizinhas no campo da comunicação, e ainda com outras áreas sociais, culturais e econômicas com as quais os processos e atividades editoriais se relacionam;
  6. pelo exercício de todas as demais atividades que, no estado então vigente da profissão, sejam reconhecidas pelo bom senso, pelas entidades representativas ou pela legislação pertinente, como características do profissional em Editoração.

 

6) Perfil da Habilitação em Cinema

O perfil do egresso da habilitação em Cinema (com esta denominação ou na denominação alternativa Cinema e Vídeo), além da inclusão dos componentes comuns do campo da Comunicação, se caracteriza:

  1. pela produção audiovisual nas bitolas e formatos cinematográficos, videográficos, cinevideográficos ou digitais, incluindo-se nessa produção direção geral, direção de arte, direção de fotografia, elaboração de argumentos e roteiros, montagem/edição, animação, continuidade, sonorização, finalização e demais atividades relacionadas; e ainda pela preservação e fomento da memória audiovisual da nação;
  2. pelo relacionamento com a realidade social e cultural e com ambientes naturais, voltado à percepção, à interpretação e à recriação destes através do registro cinematográfico destas percepções, interpretações e recriações de modo a torná-las disponíveis à sociedade - em estruturações narrativas, documentárias, artísticas, ou experimentais;
  3. pela iniciativa e pela participação na discussão pública sobre a criação cinematográfica e videográfica no país e no mundo, através de estudos críticos e interpretativos sobre produtos cinematográficos, sobre a história das artes cinematográficas, e sobre as teorias de cinema;
  4. pelo exercício das atividades e especialidades da área em equipes independentes e no espaço de instituições públicas ou privadas que incluam ou apoiem a produção cinematográfica e videográfica;
  5. pelo exercício das funções típicas da área, em suas interfaces e interações com atividades vizinhas no campo da comunicação, e ainda com outras áreas sociais, culturais e econômicas com as quais a criação, a produção e a interpretação cinematográfica se relacionem;
  6. pelo exercício de todas as demais atividades que, no estado então vigente da profissão, sejam reconhecidas pelo bom senso, pelas entidades representativas ou pela legislação pertinente, como características do profissional de Cinema em suas múltiplas caracterizações.


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